terça-feira, 30 de agosto de 2016

Encontro dia 29/08/16

Encontro da Pesquisa da Brenda                   29/08/16

Descrições dos registros vocais criados.

1- Voz de canudo: A criação de registro começou com a formulação da embocadura. Primeiro peguei a imagem de uma pessoa bebendo algo com um canudo, deixando na boca apenas um espaço bem pequeno e redondo, pensando que o canudo estivesse ali. Após isso, imaginei o som do liquido escorrendo pelo canudo. Fiz um registro com um tom meio agudo e com bastante ar, ao mesmo tempo deixando minha voz um pouco uma rouquidão. Fazendo com que o agudo inicial não saísse tem limpo e linear. Voltando a imagem do liquido escorrendo pelo canudo, a pessoa que executa essa ação puxa o liquido para dentro do seu corpo. O som não foi produzido para dentre, mas sim, para fora.

2- Voz de Raios de Sol: O formato da boca é como se estivesse uma um boleba dentro da boca. Para produzir o som, usei a letra “A”, porém deformada, do modo em que ela não aparecesse quando produzida. Usei também o registro próximo da voz de cantores de opera. Quando executei, soltei muito ar junto com o registro, de modo que o som saio falhado. 

3- Voz de Parafuso: O formato da boca é como se eu estivesse sorrindo de boca aberta e com vergonha, o som produzido, veio da imagem de um parafuso grande e enferrujado, que quando alguém vai tira-lo do lugar, ele vai produzindo sons de rangidos. Desta forma, usei um registro que saia da garganta, no momento parece que a associação de ranger do parafuso passou para a produção, pois o registro arranho de fato minha garganta. O som foi produzido com um agudo na altura da garganta e o som bem forçado, fazendo uma certa força no rosto. 

4- Embocadura com um ovo na boca (Rejane): O som produzido através dessa embocadura me pareceu ter associado um sotaque francês.

5- Embocadura com a língua encostando na gengiva do dente de cima pela frente (Marco): A princípio os sons produzidos ficaram difíceis de entender. Tive a impressão de que mantendo essa embocadura você de certa forma prendia a língua em um movimento fixo, não dando mobilidade para a produção de formação da silaba. Essa embocadura exigia que ficasse com a boca larga na horizontal e com as bochechas levantadas. O som era produzido como se estivesse vindo do ar, quando se dizia uma palavra, o meio e o fim dela eram produzidos com o ar.

6- Som produzido com a imagem de uma enferrujada.

Descrição do jogo aplicado: 

1- Primeira etapa: um jogador propõe um som e uma embocadura. 
Os outros tem que propor outros 3 sons diferentes coma mesma embocadura proposta no início. 
Cada um propõe uma embocadura a cada rodada.

2- Segunda etapa: nessa etapa os jogadores iram jogar “adedonha”.
Um de cada vez propõe uma embocadura e um gênero no início de cada rodada.
Sorteia a letra para o jogo. 
As palavras só poderão ser ditas com a embocadura proposta pelo líder da rodada. 

segunda-feira, 29 de agosto de 2016

Experimentação com Jogos Vocais 29.08.2016

Hoje, ao invés de propôr jogos vocais como no último encontro ou partir de jogos vocais já existentes, pedi a Rejane, Marco e Fagner que criassem alguns jogos vocais e os trouxessem para experimentarmos, e até mesmo aperfeiçoar. Pois sinto que o mais difícil as vezes é criar a regra para direcionar o jogo bem, para que seja eficaz. 
Começamos pela Rejane. Desta vez, como ela estava ministrando eu participei. É bom que eu participe algumas vezes, pois não fico apenas com a visão distanciada ou com os relatos deles, e sim apresento a partir do meu ponto de vista.  

JOGOS VOCAIS: 
Rejane trouxe o jogo do ENCAPSULAMENTO ( é preciso nome-la de forma mais descritiva). Os participantes escrevem em três papes picados três estímulos diferentes partido do " VOZ DE..." é a voz dessa coisa e não necessariamente o som que está faz por exemplo, se usasemos voz de CACHORRO não deveríamos latir fazendo "AU AU" e sim buscar a voz desse cachorro, a partir de uma IMAGEM, seja desdobrando o AUAU ou criando algo novo e pessoal. Os três estímulos que escrevi no papelzinho foram " VOZ DE PÃO COM MANTEIGA/ VOZ DE CHUVEIRO QUENTE/ VOZ DE RAIO DE SOL". Depois que todos os participantes escrevessem os três estímulos nos papelzinhos, embaralhavamos e então fizemos uma roda. A próxima etapa do jogo era uma pessoa tirar um desses papelzinhos, ao tirar o papel deveria fazer o som que quisesse para aquele coisa, em seguida todos os participantes repetiam. Depois esta mesma pessoa deveria ENCAPSULAR uma palavra dentro deste som, moldando, a boca e som para que a palavra caiba dentro dele. Depois todos repetiam o som com a palavra encapsulada. Depois que todos os participantes tivessem realizado esta etapa, partiríamos para a próxima, onde subiríamos um nível a mais. Ao invés de um estímulo, iríamos agora pegar dois, fazer um de cada vez, e no momento do encapsulamento ao invés de usarmos uma palavra iremos usar uma frase, onde a frase se iniciaria como o primeiro som e terminaria com o segundo. 

O jogo é de fato interessante, justamente para a relação com o encapsulamento, uma vez que este poder ser tanto jogo de criação vocal, quanto de fixação. Ele trabalha a apropriação do outro, em um som que não partiu dele e sim do outro, e agora ele começa a si apropriar. Talvez o encapsulamento seja um bom jogo de aquecimento, uma vez que este pode estar presente em todos os outros. 
Eu enquadraria este todo como um jogo de criação que parte da VISUALIZAÇÃO. Eu por exemplo, peguei o estímulo PÃO COM MANTEIGA, e afinal, o que seria a voz de um pão com manteiga? Com isso parti da premissa da imagem de passar um pão com manteiga, e com isso o som surgiu, e se fixou pois a imagem fazia sentido, quando eu lembrasse em algum outro momento a imagem de um pão com manteiga associaria esta voz.

O segundo a propor o jogo foi o Fagner. Primeiro ele propõe um aquecimento bem parecido com o encasulamento, todavia, diferente do encapsulamento, ele não parte da visualização e sim da EMBOCADURA, o som se da não a partir do som que você cria, e sim a partir do molde que sua boca propõe, a mesma melodia pode ter diferente sons, conforme a boca fosse se modificando, com isso, também fizemos uma roda e um propunha uma embocadura, em seguida o outro fazia três sons diferentes a partir dessa embocadura, uma espécie de criação de repertório. Então, em cada rodada a embocadura permanecia, o que variava era o som. Algo a se pensar, é não deixar a pessoa que propor a embocadura propor um som inicial ( fizemos assim ) e sim, o som começar nos próximos para que não sejam influênciados e o som se molde a parti apenas da embocadura, é a embocadura que estimula e molda. Um desdobramento para este jogo talvez seria fazer uma variação, onde o que muda não seria o som de pessoa para pessoa, e sim a primeira sugere um som, e este se modifica a partir da embocadura, que ai sim vai variando de pessoa para pessoa. 
Depois deste aquecimento, e criação de repertório de embocadura, jogaríamos ADEDONHA. A adedonha é um jogo infantil, e achei muito interessante pegar os jogos infantis clássicos e tentar adpatá-los para que seja úteis para voz. E como fazer esse jogo com a adedonha? Fizemos um sorteio para ver quem iria ser o primeiro, e depois o segundo e por fim o terceiro ( mas o jogo pode acontecer fluidamente, como realmente é dando a vez sempre para o vencedor). A pessoa com quem estivesse a rodada escolhia a embocadura, e o tema. Por exemplo: ANIMAL, e então jogavámos o jogo, porém só podíamos falar os nomes, usando a embocadura da rodada. É um jogo muito interessante, pois tem realmente o teor Spoliano, que é este aprender brincando, pegar um brincadeira tradicional e mudar o foco, usando o foco em prol deste objeto. Você brinca se diverte, e ainda treina esse repertório de vozes extra-cotidianas. 

Por fim, Marco propõe outro jogo, este ainda mais parecido com o encapsulamento, porém ao invés de criar um voz para algo um pouco abstrato, ao invés de partir da imagem que estímulos propunha ele partir do SOM, as imagens eram agora sonoras. Ele trouxe uma serie de som de animais, sons que vão muito além da zona de conforte e senso comum que estamos acostumados, sons muito mais ricos em detalhes. Depois de ouvirmos estes sons nós o reproduzíamos, buscavámos em nós este registro, e era algo muito difícil, afinal, eram sons que não estávamos tão acostumados, acabava então por ser realmente uma mimesse e um reconhecimento sonoro do próprio corpo. A partir disso realizamos o encapsulamento, moldando as palavras para que elas coubessem nas vozes desses animais.
Foi muito curioso analisar este jogo pois, muitas vezes para atingir certas notas, sons e melodias era necessário trabalhar a embocadora, esse molde que a boca trazia para que o som saísse com mastria, e até mesmo o próprio corpo, e a partir disso as associações surgiam. O Fagner por exemplo, não era ele apenas imitando o som de um sapo comum fazendo "RABIT" e sim, com toda essa construção deste som detalhada, buscando a ressonância, a embocadura, e um impulso do corpo, surgiu um velho, e assim por diante. Várias "QUEMS" surgiram da mimesse do som, a associação venho do som. Enquanto o encapsulamento primeiro associávamos para depois fazer esse som, esse ao fazer a "mimesse" do som, surgiam imagens.  


A partir do jogos que eles trouxeram começar a pensar e experimentar outros jogos, tanto como desdobramento como jogos que a AC2N propôs em aulas com a Rejane. 

Testamos:

“CIRANDA VOCAL” 
Em roda. Uma bola passando um para o outro. Fundo musical. Musica parar. Quem está com a bola diz uma palavra com a letra do seu nome. Joga a bola. Quem pegar faz o som da laranja.
(Autores: LORENA ESTER MONYQUE)[

“CABRA-ESCURA”
5 ou 6 pessoas com os olhos vendados livres no espaço
1 grupo de fora – nos cantos
Os vendados tem o objetivo de chegar no outro.
Alguém faz a ressonância.
Quando chegar ganha.
(Autores: ALBERTO CAMILO KELLY)

“TIMBRE DO CORPO”
Paredão ou círculo uma pessoa na frente. Corpo abstrato. Cada um faz o corpo desse corpo. Multicor de sons diferentes.
(Autores: LUCAS DULCE LEMOS)

Tentamos desdobrar o jogo do "EU FUI NA LUA" e surgiu algo muito interessante ao invés de falar " eu fui na lua e leve um objeto" fazer um som por exemplo " eu fui na lua e levei um piiiiiiiiiii", e assim fazer um acúmulo de vários sons, " eu fui na lua levei um piii, blablablalba, xiuuuu, pompompompom, bléeee" até alguém perder. 

Depois destas experimentações surgiu a questão COMO FAZER COM QUE ESTES SONS IMPREGNEM SE FIXEM? Chegamos a conclusão de que os JOGOS VOCAIS não eram suficientes, seria necessário trabalhar
JOGOS DE FIXAÇÃO.  
Rejane primeiro sugeriu um jogo de ADIVINHA onde você caminha um percursos fazendo um som dos que foram criados, e a pessoa tem que adivinha para onde você está indo a partir daquele QUEM, DAQUELE CORPO, E DAQUELA VOZ. 

E então surgiu a ideia do CONGELA (engraçado pois já havíamos chegado a conclusão de que o congela é um jogo corporal, porém tudo depende de onde o seu foco está). Duas pessoas entrariam em cena propondo um QUEM que fosse caracterizado por um dos SONS criados nos jogos anteriores. Quando um terceiro ator gritasse CONGELA, os outros dois congelariam e então e ele tiraria um, propondo um novo quem e um novo som, a partir dos sons criados anteriormente. Foi um jogo de fixação interessante, pois a voz extra cotidiana está em evidência e o congela cria um dinamicidade da apropriação, porém a mesma dificuldade do jogo anterior é justamente o não lembrar quais foram essas vozes. 

E por desdobramos o blablação. Uma pessoa ficaria VENDENDO UMA COISA (para que o foco estivesse firme)  na blablação do som que fosse escolhido. A outra pessoa faria o encapsulamento uma vez que é ela que está dando sentido, traduzindo o que o outro diz. Apesar de haver uma diluição existe uma apropriação da parte dos dois jogadores, pois há uma visualização que norteia, e uma prática constante dentro deste momento de jogo, pois você dentro do mesmo som fica buscando variantes,e forma de se expressar. 
Porém apesar de ter funcionado bem ainda não lembravámos de muitos sons propostos, então vamos tentar nos próximos encontros, afinal de cada jogo fazer o registro por escrito de cada SOM, nomeando, descrevendo como estes foram feitos, quais imagens eles trouxessaram, como o corpo ficou, onde ele ressonou, o que esta vibrando e assim por diante. Entender o som talvez seja um caminho para fixa-lo.  

terça-feira, 23 de agosto de 2016

2º - Experimentação de Jogos Vocais 23.08.2016

O plano é manter na segunda-feira uma experimentação com jogos vocais, iniciando com jogos já existentes, e a partir destes ir desdobrando. Partirmos neste dia do campo de visão/campo de audição/campo vocal onde o estímulo vem do corpo ( não a todo momento) o jogo é simples, mas precisa ser melhor estruturado, afinal você fala toda vez que escuta ou apesar quando a pessoa passa no seu campo de visão? Afinal, se o jogo parte da ideia que se tem que falar toda vez que se ouve você fará o som a todo momento, uma vez que se escuta o tempo todo. Estabelecendo a regra de que só se deve falar quando ver a outra pessoa no campo de visão, estabelece um jogo também de desvio de foco, e atenção, onde a visão é um apoiador para essa produção sonora. 
Trabalhamos neste campo de visão vocal, com diversos estímulos, onde quis explorar um a um. Acredito que o estímulo é a chave para a produção, pois cada tipo de estímulo é uma variante e dentro destes se pode perceber mais um milhão de possibilidades. Trabalhamos com o estímulo da música, o estímulo da mistura de animais, estímulos abstratos, estímulos de sentimentos, estímulos que partem do próprio corpo, estímulos que parte da produção do outro. Tentei variar inicialmente, tentando pelo menos trabalhar um pouco estes estímulos isolados para depois mescla-los. Iniciei então sem outro estímulo que não fosse a música. Era bacana pois ela ditava o ritmo. Marco disse que usou ela como base para a produção vocal neste momento, ele vez o encapsulamento neste momento, pegou o som que música trazia ( que era em outra língua) e foi encapsulando uma palavra dentro deste som. Além disso, ele estabeleceu um ritmo para essa produção algo limpo, um tanto quanto diferente pois normalmente se estabelece a pesquisa pelo caos, pelo extravasamento, e neste momento onde O FOCO ESTAVA NA MÚSICA COMO ESTÍMULO, e isso limpou a produção sonoro, trouxe um ritmo uma dinâmica, a partir do que a música trazia. 
Em seguida comecei com o estímulo do sentimento com "Palhaço Feliz". Esse é um estímulo muito pertinente, pois já havíamos chegado a conclusão de que estímulos abstratos são mais eficientes para a criação, uma vez que não deixa algo pré estabelecido, porém quando se trabalha este a partir de sentimento quais são as resultantes? Há uma pessoalidade na nesta " felicidade de cada um" e essa " felicidade" é uma felicidade que seria estabelecida corporalmente e vocalmente se não tivesse o SUJEITO PALHAÇO lhe determinando? Acho que é que ainda deve ser mais aprofundado com estímulo, pois se digo palhaço, realmente são imagens estabelecidas que surgem, mas se dou uma característica a esse sujeito, ou até mesmo um sentimento, pode ser que as possibilidades de desdobrem. O FOCO NESTE MOMENTO ESTAVA NA VOZ DE COMANDO. É interessante que quando se perde o foco na voz de comando, ou se acabam as ideias, os atores comentaram que sempre recorriam a música, como se esta fosse um apoio, uma base um "save point" onde se você perde o jogo, sempre poderá voltar de lá. 

Teve um momento muito interessante que Rejane ( não sei qual era o estímulo deste momento) começou a criar e brincar com a voz a partir do corpo, quicando no chão. A o jeito como quicava com o corpo moldava a voz dando forma dinâmica e dilatação para esta. O que me faz lembrar de um outro momento, que na verdade esteve presente o tempo todo, que realmente é essa relação de como o corpo e seus músculos, onde este molda a voz. Em todos os momentos, independentemente do estímulo dado para a criação, o que modo como a boca se articulava, se moldava, se torci, mexia, (não sei exatamente a palavra certa que se enquadra nesta definição) eram meios para trazer registros diferentes para essa voz extra cotidiana. Estão se eu falasse "AH" com a boca mais aberta, com a boca de lado, com a boca fechada, usando bico, com a língua para fora, franzindo o rostro, e ex eram formas e variáveis de explorar um mesmo. A voz é de fato algo fascinante, pois por mais que eu ache o registro dela dentro de mim, onde vibra mais a cabeça, o peito, a barriga, ou gargante, e eu percebo se ela é mais ou menos aguda, ainda tem essa variante que é o modo como eu emito esse som a partir do jeito como eu arranjo tanto o meu corpo, quanto a minha boca, além do fator do volume, pois se eu projeto mais ou menos um som ele também terá as suas variantes. Um conclusão a partir dessa percepção dos músculos da boca é que 
"OS SONS MAIS BIZARROS SURGEM DE UMA DEFORMAÇÃO DA BOCA" 

Depois de um tempo no campo de visão vocal, parei de dar os comando de pesquisa pessoal, passar o comando para alguém ou mesmo dar estímulo, a produção começou a ficar fluída, e de repente se estabeleceu um cena que surgiu (acredito) graças a produção vocal estabelecida. Fagner com um tom mais grave e grosso, enquanto Rejane e Marco mantiveram um registro agudo, e de repente Fagner era um  Urso, retomando a um estímulo dado no inicio do jogo, de "URSO DA MONTANHA", e Rejane e Marco eram ou mãe e filho, ou duas crianças, enfim.. eram pessoas com medo do urso. E o jogo se estabeleceu por um tempo onde fagner atacava lentamente e eles fugiam. Analisei a situação por um tempo buscando um meio, um comando onde eles pudessem alternar esse registro ou um pegar o registro do outro, como um troca, onde não se troca a fala, e sim a pessoa. Então pensei em dar o registro do Fagner para Rejane, o registro da Rejane para o Marco e o registro do Marco para o Fagner. Mas achei que isso geraria uma certa confusão, então deixei que se ouvissem mais um pouco e pedi que Rejane trocasse de registro com Fagner. Foi interessante por que o registro dos dois eram muito opostos, e um começou a absorver o registro do outro, tanto vocal quando corporal.  E depois troquei com o Marco assim por diante, até todos passarem pelos registros. Isso foi interessante para a apropriação do registro vocal do outro, mas questões surgem a partir disso, afinal no campo de visão vocal não é justamente isso que acontece? Quando o comando está com uma pessoa as demais que a seguem se apropriam do seu registro? Qual seria a diferença (se que há alguma diferença). Talvez a relação esteja no foco. Isso foi algo que dei muita atenção, afinal a resultante varia de acordo com o foco. Se o foco está no corpo, e a voz está em jogo, essa surge como consequência. No campo de visão vocal durante a pesquisa pessoal o foco pode estar em muitas coisas, mas quando o comando está em algo, o foco não está necessariamente na absorção ou apropriação, e sim em fazer o movimento do outro, e trabalhar matérias internos para essa produção, criando diversas associações. Então, talvez, quando eu disser " fulano troca o registro com ciclano" o foco seja realmente a absorção/apropriação do registro do outro.

Ao finalizar o campo de visão debatemos um pouco estas questões e como foi isso para quem estava de dentro. Um comentário do Marco Antônio que achei curioso e ainda não ficou muito claro  foi quando ele disse que " Se eu tenho corpo de palhaço e voz de pedra eu sou uma pedra com corpo de palhaço" como se a voz fosse interno predominante, e o corpo um externo, plastico, uma camuflagem.

Em seguida fizemos um jogo, onde diferente do primeiro o corpo não seria ponto de estímulo. Ainda não sei o nome do jogo mas nós já havíamos realizado este na escola de Teatro Darlene Glória em Cachoeiro de Itapemirim com o professor Luiz Carlos Cardoso (atualmente integrante da Cia do Outro). O jogo consiste em uma apropriação consciente. Cada aluno se estabelece em um canto da sala/espaço. Um de cada vez caminha até o outro fazendo um som, por exemplo " CHUÁAA, CHUÁA" e repete este som até chegar na pessoa escolhida. Ao chegar, a pessoa escolhida começa a fazer o som junto com a pessoa que foi até ela. As duas ficam por um tempo fazendo "CHUÁ CHUAÁ CHUÁA". Quando a pessoa escolhida perceber que encontrou o registro, o tom e etc, que a outra pessoa propôs ela sai caminhando no espaço fazendo este som por um certo tempo. Ao chega no meio do caminho ela escolhe um dela agora, podendo ser desdobrado do último som, ou algo completamente diferente ( ainda não sei ao certo se há uma diferença ou potencialização entre o desdobramento e o salto). Com isso ela escolhe outra pessoa vai até faz o som e assim por diante. Permanecemos neste jogo por um bom tempo, e muitas coisas podem ser extraídas a partir deste. A primeira coisa que achei interessante, é que enquanto eu busco meu som no caminho, eu busco me conhecer, eu exploro peito cabeça, variados tipo de ressonância para conseguir atingir o som que pretendo, é um período de DESCOBERTA. Quando a pessoa chega na pessoa escolhida é um outro momento de descoberta. É hora de ter o ouvido atento, pois você precisa encontrar o registro que a pessoa usa, uma vez que você não ter ideia de como chegar a esse registro, então você o escuta, e escuta e perceber como fazê-lo e então começa a buscar em você, sem muitas delongas, você parte para ação mesmo que não entenda perfeitamente como funciona o registro, porém busca no seu próprio corpo, formas de fazê-lo.
Apesar do corpo jogo não partir do corpo, este por sua vez esteve presente mais um vez, pois por diversas vezes o corpo orientava o som, ou ditava o ritmo, mas acho que não por estímulo, não era dele que partia o som, mas ele orientava ele fazia lembrar, e talvez o corpo desdobrava. Mas focando exclusivamente na boca e seus músculos, este sim estava presente o tempo inteiro, a deformação e suas formas. Acredito que em todos os sons, mesmo que de forma mais sutil, o molde da boca este presente.
Por fim decide levar o jogo para um outro nível trabalhando o encapsulamento. Eles pegavam o som  de uma pessoa, o faziam por um tempo, e então tentavam encaixar uma palavra ou frase dentro dele. Foi interessante perceber pois muitas vezes era necessário que esse molde da boca de transformasse para sair a palavra, para que linguagem se estabelecesse. O Marco por exemplo teve muita dificuldade com isso de inicio, pois parecia que fazendo isso você mantinha só o ritmo e não o registro em si, uma vez que este precisava ser adaptado, mas acho que o jogo é justamente esse, como colocar a palavra nesse som extra, que não é seu, que não é cotidiano? Sem fugir muito do registro, mas desdobrando-o.

Perceber o encapsulamento dentro deste jogo, e até mesmo em alguns momentos dentro do campo de visão vocal, fez pensar que talvez ele pudesse ser um aquecimento padrão que estivesse dentro de todos estes jogos, uma vez que ele acaba por estar.

Por fim fizemos uma cena de improviso com Quem, onde e o quê para experimentar se esse repertório que se estabeleceu surge sem intencionalidade, assim como acontece com a memória corporal, uma memória vocal. Colocamos apenas a regra que três de alguns registros deveriam aparecer os registro: Urso da Montanha/Laranjinha/ Voz de Pedra. O lance era justamente esse, eles não iriam parecer por que eu algum momento ELES TINHAM QUE APARECER, e sim por que os atores a partir de um improvisação sem saber o momento, achariam o local ideal para inserir tais vozes.
O primeiro quem, onde e o que eram: Dois Bandidos e uma caixa/ Num supermercado/ Assaltando
esta vez não deu certo. Marco e Fagner estabeleceram uma voz inicial para o personagem a partir de um dos registro, logo o extra cotidiano se estabeleceu durante todo o tempo. A segunda tentativa eram: dois desconhecidos e um dono de bar/ Num bar/ Brigando por que se olharam torto. Desta vez a voz surgiu intuitivamente, dentro de uma ação, não necessariamente para representar, e sim para completar, criar oposição, destacar e acentuar alguma coisa, e por mais que esteja diluída graças a apropriação, ela surgia espontaneamente, mesmo sem estar no foco.

1º Leitura dos Textos " Pequeno Polegar", "A Borboleta Azul" e "Brincando no escuro"

A pesquisa será dividida em dois dias. As sextas feiras serão dedicadas tanto a pesquisa de textos infantis e ensaios desde. Enquanto as segundas serão dedicadas exclusivamente ao processo e criação dos jogos vocais. 
Nesta Sexta feira lemos os textos " A Borboleta Amarela", "Pequeno Polegar" e " Brincando no Escuro" sendo os primeiros literatura e o último uma dramaturgia. Marco Antonio Reis, Rejane Arruda e Fagner Soares estão no elenco e realizaram esta leitura. Tentei inicialmente trabalhar com regra de jogo vocal para conduzir a leitura baseando-se na seguinte pergunta COMO REALIZAR UMA LEITURA DINÂMICA INICIANDO O TRABALHO VOCAL A PARTIR DA REGRA DE JOGO? Com isso, a primeira regra dada por mim, era usar o efeito de Cannon toda vez que lessem a palavra "Pai/papai" e parecem o efeito no fim da frase. A outras regras pedi que eles dessem entre sim, para criar uma dinâmica na leitura. Rejane deu a regra vocal para o marco de "FALAR EMBOLADO", Marco deu a regra pro Fagner de "FALAR CANTANDO EM ALGUNS MOMENTOS", e por fim Fagner deu a regra para a rejane de "FALAR COMO SE ESTIVESSE LEVANDO UM CHOQUE. 
De fato a regra que mais me chamou a atenção foi justamente a de falar levando um choque, pois está não é um regra onde a fala está em foco, e sim ela está em consequência do corpo, é interessante perceber as variantes que a voz sofre quando ela não está em foco, quando ela parte de um estímulo que não depende dela. Tendo em vista a voz como esse conjunto do corpo, quando eu  digo "CORPO DE ALGUMA COISA" como quando fazíamos no campo de visão a voz sofre consequentemente essa interferência. Porém o fato desta voz não está em jogo faz com que ela seja quebrada, assim como quando aconteceu com a Rejane, em vários momentos da leitura ela foi perdendo essa caráter até por fim se sessar, cabe saber se foi opcional pela dificuldade da visualização do texto ou se foi por perder o foco da regra. 
Outro ponto importante é a visualidade do texto. Quando não se tem a visualidade do texto, não é possível transmiti-la. As coisas ficam turvas tanto para quem lê, tanto para quem escuta. Isso foi algo a se perceber nesta leitura. Não houve visualidade da leitura justamente por o foco está na voz, os atores se empolgava e buscavam a partir de uma dinâmica e a partir da regra estabelecida lançar uma visualidade, que não era a visualidade do texto, e não por querer mudar o contexto do texto, e sim por não conseguir visualiza-lo, dando outras intenções, outros sentidos, e etc. Com isso decidimos que neste momento de conhecimento do texto, seria necessário iniciar com uma leitura branca, para estabelecer essa visualidade, entender o texto,  e partir disso conforme fosse surgindo a empolgação, os atores fossem colorindo o texto dando vida a voz, e dançando com as palavras. 
Foi justamente o que aconteceu quando começou a leitura do texto " Brincando no Escuro". O texto já sugere que são clowns, o que estabelece um imagem forte, e concreta. O texto tem algo também que cativo muito, sutil e contemporâneo, e principalmente, uma possibilidade para brincar com a poética vocal, uma vez que este usam dublagem em cena, personagens que se transformam em outros, voz fora de cena, voz no escuro, e assim por diante. 

Com isso deixo alguns pontos importante.
*É preciso trabalhar a dinâmica vocal, que regra ajudaria a trabalhara essa dinâmica, tanto em relação ao próprio ator, em relação aos outros personagens e em relação ao espetáculo inteiro. 
* Dar mais de um regra para uma pessoa talvez ajude nessa dinâmica. 
* As Variantes das regras vocais: Regras que ajudam na criação para o personagem/ estruturação de cena ( como coro e cannon por exemplo)/ Regras que estabelecem a ludicidade da cena 



Obs: A leitura sem regra de jogo ganha forma e energia conforme surge a visualidade. Conforme os atores se empolgam começam a experimentar e isso estabelece uma voz extra cotidiana( mesmo que sutil)