segunda-feira, 29 de agosto de 2016

Experimentação com Jogos Vocais 29.08.2016

Hoje, ao invés de propôr jogos vocais como no último encontro ou partir de jogos vocais já existentes, pedi a Rejane, Marco e Fagner que criassem alguns jogos vocais e os trouxessem para experimentarmos, e até mesmo aperfeiçoar. Pois sinto que o mais difícil as vezes é criar a regra para direcionar o jogo bem, para que seja eficaz. 
Começamos pela Rejane. Desta vez, como ela estava ministrando eu participei. É bom que eu participe algumas vezes, pois não fico apenas com a visão distanciada ou com os relatos deles, e sim apresento a partir do meu ponto de vista.  

JOGOS VOCAIS: 
Rejane trouxe o jogo do ENCAPSULAMENTO ( é preciso nome-la de forma mais descritiva). Os participantes escrevem em três papes picados três estímulos diferentes partido do " VOZ DE..." é a voz dessa coisa e não necessariamente o som que está faz por exemplo, se usasemos voz de CACHORRO não deveríamos latir fazendo "AU AU" e sim buscar a voz desse cachorro, a partir de uma IMAGEM, seja desdobrando o AUAU ou criando algo novo e pessoal. Os três estímulos que escrevi no papelzinho foram " VOZ DE PÃO COM MANTEIGA/ VOZ DE CHUVEIRO QUENTE/ VOZ DE RAIO DE SOL". Depois que todos os participantes escrevessem os três estímulos nos papelzinhos, embaralhavamos e então fizemos uma roda. A próxima etapa do jogo era uma pessoa tirar um desses papelzinhos, ao tirar o papel deveria fazer o som que quisesse para aquele coisa, em seguida todos os participantes repetiam. Depois esta mesma pessoa deveria ENCAPSULAR uma palavra dentro deste som, moldando, a boca e som para que a palavra caiba dentro dele. Depois todos repetiam o som com a palavra encapsulada. Depois que todos os participantes tivessem realizado esta etapa, partiríamos para a próxima, onde subiríamos um nível a mais. Ao invés de um estímulo, iríamos agora pegar dois, fazer um de cada vez, e no momento do encapsulamento ao invés de usarmos uma palavra iremos usar uma frase, onde a frase se iniciaria como o primeiro som e terminaria com o segundo. 

O jogo é de fato interessante, justamente para a relação com o encapsulamento, uma vez que este poder ser tanto jogo de criação vocal, quanto de fixação. Ele trabalha a apropriação do outro, em um som que não partiu dele e sim do outro, e agora ele começa a si apropriar. Talvez o encapsulamento seja um bom jogo de aquecimento, uma vez que este pode estar presente em todos os outros. 
Eu enquadraria este todo como um jogo de criação que parte da VISUALIZAÇÃO. Eu por exemplo, peguei o estímulo PÃO COM MANTEIGA, e afinal, o que seria a voz de um pão com manteiga? Com isso parti da premissa da imagem de passar um pão com manteiga, e com isso o som surgiu, e se fixou pois a imagem fazia sentido, quando eu lembrasse em algum outro momento a imagem de um pão com manteiga associaria esta voz.

O segundo a propor o jogo foi o Fagner. Primeiro ele propõe um aquecimento bem parecido com o encasulamento, todavia, diferente do encapsulamento, ele não parte da visualização e sim da EMBOCADURA, o som se da não a partir do som que você cria, e sim a partir do molde que sua boca propõe, a mesma melodia pode ter diferente sons, conforme a boca fosse se modificando, com isso, também fizemos uma roda e um propunha uma embocadura, em seguida o outro fazia três sons diferentes a partir dessa embocadura, uma espécie de criação de repertório. Então, em cada rodada a embocadura permanecia, o que variava era o som. Algo a se pensar, é não deixar a pessoa que propor a embocadura propor um som inicial ( fizemos assim ) e sim, o som começar nos próximos para que não sejam influênciados e o som se molde a parti apenas da embocadura, é a embocadura que estimula e molda. Um desdobramento para este jogo talvez seria fazer uma variação, onde o que muda não seria o som de pessoa para pessoa, e sim a primeira sugere um som, e este se modifica a partir da embocadura, que ai sim vai variando de pessoa para pessoa. 
Depois deste aquecimento, e criação de repertório de embocadura, jogaríamos ADEDONHA. A adedonha é um jogo infantil, e achei muito interessante pegar os jogos infantis clássicos e tentar adpatá-los para que seja úteis para voz. E como fazer esse jogo com a adedonha? Fizemos um sorteio para ver quem iria ser o primeiro, e depois o segundo e por fim o terceiro ( mas o jogo pode acontecer fluidamente, como realmente é dando a vez sempre para o vencedor). A pessoa com quem estivesse a rodada escolhia a embocadura, e o tema. Por exemplo: ANIMAL, e então jogavámos o jogo, porém só podíamos falar os nomes, usando a embocadura da rodada. É um jogo muito interessante, pois tem realmente o teor Spoliano, que é este aprender brincando, pegar um brincadeira tradicional e mudar o foco, usando o foco em prol deste objeto. Você brinca se diverte, e ainda treina esse repertório de vozes extra-cotidianas. 

Por fim, Marco propõe outro jogo, este ainda mais parecido com o encapsulamento, porém ao invés de criar um voz para algo um pouco abstrato, ao invés de partir da imagem que estímulos propunha ele partir do SOM, as imagens eram agora sonoras. Ele trouxe uma serie de som de animais, sons que vão muito além da zona de conforte e senso comum que estamos acostumados, sons muito mais ricos em detalhes. Depois de ouvirmos estes sons nós o reproduzíamos, buscavámos em nós este registro, e era algo muito difícil, afinal, eram sons que não estávamos tão acostumados, acabava então por ser realmente uma mimesse e um reconhecimento sonoro do próprio corpo. A partir disso realizamos o encapsulamento, moldando as palavras para que elas coubessem nas vozes desses animais.
Foi muito curioso analisar este jogo pois, muitas vezes para atingir certas notas, sons e melodias era necessário trabalhar a embocadora, esse molde que a boca trazia para que o som saísse com mastria, e até mesmo o próprio corpo, e a partir disso as associações surgiam. O Fagner por exemplo, não era ele apenas imitando o som de um sapo comum fazendo "RABIT" e sim, com toda essa construção deste som detalhada, buscando a ressonância, a embocadura, e um impulso do corpo, surgiu um velho, e assim por diante. Várias "QUEMS" surgiram da mimesse do som, a associação venho do som. Enquanto o encapsulamento primeiro associávamos para depois fazer esse som, esse ao fazer a "mimesse" do som, surgiam imagens.  


A partir do jogos que eles trouxeram começar a pensar e experimentar outros jogos, tanto como desdobramento como jogos que a AC2N propôs em aulas com a Rejane. 

Testamos:

“CIRANDA VOCAL” 
Em roda. Uma bola passando um para o outro. Fundo musical. Musica parar. Quem está com a bola diz uma palavra com a letra do seu nome. Joga a bola. Quem pegar faz o som da laranja.
(Autores: LORENA ESTER MONYQUE)[

“CABRA-ESCURA”
5 ou 6 pessoas com os olhos vendados livres no espaço
1 grupo de fora – nos cantos
Os vendados tem o objetivo de chegar no outro.
Alguém faz a ressonância.
Quando chegar ganha.
(Autores: ALBERTO CAMILO KELLY)

“TIMBRE DO CORPO”
Paredão ou círculo uma pessoa na frente. Corpo abstrato. Cada um faz o corpo desse corpo. Multicor de sons diferentes.
(Autores: LUCAS DULCE LEMOS)

Tentamos desdobrar o jogo do "EU FUI NA LUA" e surgiu algo muito interessante ao invés de falar " eu fui na lua e leve um objeto" fazer um som por exemplo " eu fui na lua e levei um piiiiiiiiiii", e assim fazer um acúmulo de vários sons, " eu fui na lua levei um piii, blablablalba, xiuuuu, pompompompom, bléeee" até alguém perder. 

Depois destas experimentações surgiu a questão COMO FAZER COM QUE ESTES SONS IMPREGNEM SE FIXEM? Chegamos a conclusão de que os JOGOS VOCAIS não eram suficientes, seria necessário trabalhar
JOGOS DE FIXAÇÃO.  
Rejane primeiro sugeriu um jogo de ADIVINHA onde você caminha um percursos fazendo um som dos que foram criados, e a pessoa tem que adivinha para onde você está indo a partir daquele QUEM, DAQUELE CORPO, E DAQUELA VOZ. 

E então surgiu a ideia do CONGELA (engraçado pois já havíamos chegado a conclusão de que o congela é um jogo corporal, porém tudo depende de onde o seu foco está). Duas pessoas entrariam em cena propondo um QUEM que fosse caracterizado por um dos SONS criados nos jogos anteriores. Quando um terceiro ator gritasse CONGELA, os outros dois congelariam e então e ele tiraria um, propondo um novo quem e um novo som, a partir dos sons criados anteriormente. Foi um jogo de fixação interessante, pois a voz extra cotidiana está em evidência e o congela cria um dinamicidade da apropriação, porém a mesma dificuldade do jogo anterior é justamente o não lembrar quais foram essas vozes. 

E por desdobramos o blablação. Uma pessoa ficaria VENDENDO UMA COISA (para que o foco estivesse firme)  na blablação do som que fosse escolhido. A outra pessoa faria o encapsulamento uma vez que é ela que está dando sentido, traduzindo o que o outro diz. Apesar de haver uma diluição existe uma apropriação da parte dos dois jogadores, pois há uma visualização que norteia, e uma prática constante dentro deste momento de jogo, pois você dentro do mesmo som fica buscando variantes,e forma de se expressar. 
Porém apesar de ter funcionado bem ainda não lembravámos de muitos sons propostos, então vamos tentar nos próximos encontros, afinal de cada jogo fazer o registro por escrito de cada SOM, nomeando, descrevendo como estes foram feitos, quais imagens eles trouxessaram, como o corpo ficou, onde ele ressonou, o que esta vibrando e assim por diante. Entender o som talvez seja um caminho para fixa-lo.  

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