Um ponto muito importante para a pesquisa da VOZ EXTRA COTIDIANA, é perceber as potencialidades da voz que surge a partir de estímulos CORPORAIS, e da voz que surge a partir de estímulos EXTERNOS, e analisar também o que é ser externo. Afinal no campo de visão quando o vejo o corpo de algum de alguma forma isso me afeta, a voz propriamente dita SE TORNA um estímulo externo uma vez que ela parte de nós mesmo, é evocada, vai para o ambiente externo E A PARTIR DA NOSSA AUDIÇÃO pegamos ela de voltar como sendo um ESTÍMULO EXTERNO, ela nos gera associações, uma vez que ouvimos de novo. Se tivéssemos algum tipo de problema auditivo por exemplo, ela não se tornaria externa. Talvez este ESTIMULO EXTERNO de criação, devesse ser melhor categorizado, tendo em vista que POSSIVELMENTE todo estímulo é externo (ou não). Quando estamos em pesquisa pessoal com o corpo por exemplo, esse é um estímulo corporal OU externo? E o corpo NÃO É EXTERNO? A melhor classificação talvez seria.
ESTÍMULO VISUAL
ESTÍMULO SONORO
ESTÍMULO CORPORAL
E afinal O QUE É UM ESTÍMULO? E qual sua relação com os SENTIDOS HUMANOS?
No dicionário diz que:
estímulo
substantivo masculino
- 1.ponta aguda de objeto que pica; aguilhada, aguilhão, pua.
- 2.fig. aquilo que anima, que incita à realização de algo."o aluno precisa de e. em seu aprendizado"
Etimológicamente falando:
É o Latim STIMULUS, “vara pontuda para tocar o gado”. Passou a ser usado em Medicina ao redor de 1680, com o significado de “algo que incita o funcionamento de um órgão”
Esta relação de ALGO QUE INCITA é fundamental para a pesquisa. Logo o estímulo visual é algo que incita visualmente; o sonoro, sonoramente; o corporal, corporalmente. Certo? Não sei ao certo, mas perceber esta categorização me faz pensar na relação do sentido, e se a produção a partir dos estímulos estivesse diretamente ligar as sentidos humanos? Afinal os sentidos são os receptores de estímulos?
Os receptores sensoriais podem ser classificados a partir do estímulo que são capazes de perceber. Os principais receptores são:
- Quimiorreceptores - São receptores capazes de perceber estímulos químicos;
- Fotorreceptores - São receptores capazes de perceber estímulos luminosos;
- Mecanorreceptores - São receptores capazes de perceber estímulos mecânicos, como pressão e toques;
- Fonorreceptores - São receptores capazes de perceber estímulos sonoros. Muitos autores consideram esses receptores como mecanorreceptores.
"Os sentidos são responsáveis pela nossa capacidade de interpretar o ambiente, ou seja, captar diferentes estímulos ao nosso redor. Sem os sentidos não seríamos capazes de perceber as variações do meio e, consequentemente, de produzir uma ação adequada diante de um perigo. (...) Essa capacidade de perceber o meio é possível graças à presença de receptores sensoriais, que captam os estímulos e transformam-nos em impulsos nervosos. Estes são interpretados em centros específicos do sistema nervoso, que produzirá respostas adequadas àquele estímulo. Esses receptores estão localizados nos chamados órgãos dos sentidos. "
http://brasilescola.uol.com.br/oscincosentidos/
Qual seria a relação do OFATO e do PALADAR? Seria que deveria-se trabalhar com estes estímulos, ou eles não são tão potentes, e não são porque não foram bem investigados? Ou por simplesmente não ser? Enfim, perceber a relação dos estímulos com os sentidos, amplia a visão que antes era fechada em EXTERNO & CORPOAL (DE SÍ PRÓPRIO), com isso hoje nós iniciamos o trabalho com a criação a partir do ESTÍMULO SONORO que não parte de si próprio (talvez o outro. e o si próprio seja uma sub categoria). Iniciamos vendo o trabalho de dublagem com o Wendel Bizerra, que faz as vozes do Goku, Bob Sponja entre outros, que é o quando se faz a tradução de um língua para a outra e a voz do personagem já está (relativamente) criada. A outra modalidade ( que tem um nome específico no qual não lembro nem consegui achar mais) que a criação da voz original, para isso pegamos o desenho animado da Cartoon " Irmão do Jorel" um desenho brasileiro que trabalha com diversas vozes extremamente CARICATAS e/ou EXTRA COTIDIANAS onde a animação só é realizada depois que da criação vocal, com isso o desenho, a relação dos personagens, algumas expressão vão variar de acordo com a criação DESSA VOOOZ, então foi muito importante perceber a importância da voz nessa produção, e perceber o quanto elas são potentes. Tenho que pesquisar ainda melhor como estes atores - criadores vocais trabalham e criam isso, por que é sem duvidas um material muito valioso. Enfim depois depois de analisar estas duas modalidades vimos que podíamos trabalhar de duas formas:
1. REPRODUÇÃO E APROPRIAÇÃO DA PARTITURA VOCAL DO OUTRO
E S T I M U L O S O N O R O
2. CRIAÇÃO A PARTIR DA EXTRA COTIDIANIDADE DO PRÓPRIO DESENHO
E S T I M U L O V I S U A L
A 1ª é muito interessante uma vez que ela é MUITO,extremamente parecida com o ROUBO DE PARTITURA (corporal) que fazíamos nas aulas de corpo. A gente pegava fotos, imagens, formas e gestos, e ficamos repetindo, repetindo, repetindo, dando fala interna* até que a aquela forma virasse nossa, era um treinamento corporal na base da REPETIÇÃO ( acredito que a repetição, assim como para muitos outros, é a chave para este exercício ). Então o que fizemos: pegamos a cena do "Irmão do Jorel", e fizemos, eu não diria que era uma dublagem, e sim uma apropriação do registro vocal. Demos uma personagem especifica para cada pessoa, para que houvesse uma maior verticalização na pesquisa do registro vocal específico. Um trabalho eu diria minucioso, a personagem falava, dávamos pause na animação e o ator buscava acessar esse registro. O episódio tinha aproximadamente 10 minutos, onde ficamos nesse processo até o final, e foi muito interessante perceber essa minuciosidade, pois havia um tempo de estudo, onde você analisava, você tinha tempo a partir do que se tinha acabado de OUVIR, e tentar buscar isso em você, essa repetição dessa busca, que tinham horas que se perdiam, e você precisava retomar, e buscava novas formas de se fazer, era extremamente interessante. É legal perceber essa verticalização durante os dez minutos, pois dois personagens apareciam recorrentemente, durante todo o episódio, enquanto outros dois, apareceram menos, então ouve uma troca na verticalização pois não deu tempo de se aprofundar muito nem em um nem em outro, e a apropriação destes dois que tiveram menos tempo com os personagens foi muito menor, acredito que graças a este vetor.
* QUAL A RELAÇÃO DA FALA INTERNA COM A VOZ EXTRA COTIDIANA? RESÍDUO?*
Em seguida trabalhamos o processo de FIXAÇÃO dessa vozes, com um jogo de improvisação com o " quem onde e o que" mesmo da animação. Mas antes dos atores irem para a cena, eles se afastaram e treinaram individualmente estes registros, uma especie de PESQUISA PESSOAL, buscam formas de acessar, de manter em foco, de não diluir, de falar outras falas, de resgatar o registro inicial enfim, algo bonito chamativo, e aparentemente eficaz. A cena foi uma loucura, de fato não existia fala interna, e o conflito se desenvolvia mal, como cena não era algo tão eficaz, todavia ao focar unica e exclusivamente na voz, notava-se uma potencialidade, de algo que algumas vezes estava diluído porém não deixava de ser potente e extra cotidiano, me fazendo pensar que a diluição talvez não seja algo tão ruim, apenas uma especie de lapidação ou apropriação. A DILUIÇÃO NÃO SIGNIFICA QUE CAI NA COTIDIANIDADE.
A 2ª que era a relação com o ESTÍMULO VISUAL da animação, pegamos o filme "Monstros S.A" a criação imediata ao ver a imagem e ter que criar algo de imediato acredito ser mais difícil, de qualquer forma surgiram sim coisa interessantes, e vozes que surgiram de fato da produção visual que tal personagem trazia, todavia que dessa forma a criação cai em padrões que muitas vezes tentamos quebrar com os estímulos abstratos, então a ver um monstro peludão caímos possivelmente em um esteriótipo, ao vermos uma menina fofinha e assim por diate, como criar isso a partir destes estímulos não sabemos ao certo.
Ainda em relação ao criador vocal, decidimos jogar o jogo do Marco que ele chama de Espelho Criativo, eu prefiro chamar de Espelho da Alteração. Enfim, já jogamos outras modalidades dele em outros dia, e hoje experimentamos ainda uma outra. No caso ao invés de duas duplas fazendo tudo como funciona o jogo principal, trabalhamos com uma DUPLA CORPORAL & uma DUPLA VOCAL. Como funcionava, a dupla do corpo agi um sobre a outra porém toda vez que ela fazia um movimento ela não podia falar, quando acabava o movimento ela congelava, e a pessoa que estivesse criando a voz para ela faria a voz ou fala ou som daquela ação, e assim por diante. Essa pausa era interessante pois justamente dava o tempo do criador acessar essa voz, criar essa voz para assim lança, você tenho meio que tempo parar criar coisas mais profundas, que diferente de quando você é pego de surpresa e tem que agir espontaneamente, pega normalmente o que estiver mais fresco. É um jogo muito interessante justamente por causa das onomatopeias de surgem e criar a partir do estímulo VISUAL que vem do corpo que o outro te da também é muito interessante. Uma aquecimento para este jogo talvez seria o “TIMBRE DO CORPO” onde uma pessoa faz uma forma corporal abstrata e as de mais dão uma voz ou som para esta forma, uma espécie de pintar por dentro essa borda.
(Autores: LUCAS DULCE LEMOS)
Ainda uma nova modalidade para este jogo, era agora ao invés de (assim como foi na semana passada) mudar a fala do outro e manter o movimento corporal, tínhamos que falar a mesma coisa que o outro e mudar o movimento corporal. Isso foi interessante pois potencializa o jogo enquanto ESTÍMULO SONORO, eu não preciso mais olhar para o outro para a criar, e a partitura do outro possivelmente nem interfere na minha criação, a apenas a sonoridade da sua voz e seu registro vocal. O espelho ao repetir essa voz, consegue de alguma forma se apropriar desse registro vocal, porém dando um novo brilho, resinificando-o a partir do momento que a liberdade com o corpo.
Eu classificaria esse jogo ( que foi inicialmente proposto na pesquisa do marco ) em ESPELHO COMPLETO que é quando o espelho mimetiza tanto CORPO quanto VOZ; ESPELHO VOCAL que é quando se espelha a voz e o corpo muda; e ESPELHO CORPORAL que é quando se mimetiza o corpo e a voz muda.
Na modalidade do espelho corporal onde a voz muda é importante perceber se o que muda é: A FALA? A SONORIDADE? A MELODIA? O COMPASSO? OU O REGISTRO?
É que acredito que a alteração do Marco se faz extremamente funcional, pois pode-se alterar qualquer uma destas coisas.
Para quinta feira que vem iremos trabalhar com o efeito de monstro, onde vamos pegar diversos pedaços de registros vocais para montar um só.
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